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O evangelho de São João traz um diálogo curioso, cuja resposta é ainda mais inesperada: “Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?”. Disseram-lhe: “Rabi, onde moras? Vinde e vede” – res­pondeu-lhes ele” (cf. Jo 1,38). Mas o que essa conversa tem a ver com conselhos evangélicos?

A história conta que eles passaram o dia com Jesus! Morar com Deus é aproximar-se da forma como Ele viveu. E o jeito de Jesus se explica pela obediência, pobreza e castidade.

Logo, segui-Lo significa abraçar os conselhos evangélicos que compreendem essas três dimensões. Todo batizado é convidado a testemunhá-los, porém a vida consagrada é chamada a professá-los, com votos, através de uma Congregação ou de um Instituto de Vida Consagrada.

Sendo assim, preparamos este post para explicar como seguir Cristo através dos conselhos evangélicos.

 

Conselhos evangélicos – caminho de liberdade

 

Os conselhos evangélicos se apoiam nas bem-aventuranças. O homem novo, proclamado pelo Evangelho, é uma pessoa livre e capaz de se deixar guiar por conselhos justos.

Sendo assim, os conselhos evangélicos são propostas e nunca imposição, assim como o Evangelho. Desta forma, aquele que ouve a voz de Deus, sente necessidade de desprender-se de coisas e pessoas, e viver a pureza por amor a Deus e ao outro.

Como diz o Catecismo da Igreja Católica no nº 915, os conselhos evangélicos são, na sua multiplicidade, propostos a todos os discípulos de Cristo. E a profissão desses, à vida consagrada a Deus. 

Os três conselhos – obediência, pobreza e castidade são interligados e dependem um do outro na vivência da santidade. Abaixo trataremos sobre cada um deles.

 

A obediência – porta dos conselhos evangélicos

 

A palavra “obedecer” vem do latim e significa escutar, ouvir o outro. Assim, obedecer é ouvir a voz de Deus! O papa Francisco afirma que aquele que obedece a Deus não é escravo, mas livre, exatamente porque não faz sua própria vontade, mas a do Outro.

Existe uma grande crise de obediência no mundo, mas ela é fundamental para a vivência dos conselhos evangélicos. Para muitos, a obediência é subserviência, perda de decisão ou rebaixamento.

No entanto, a maioria se esquece de que o amor se inclina para chegar ao outro. Quem experimentou o amor humano, entende bem o que significa rebaixar-se.

E, em se tratando de amar, não há modelo maior do que Cristo. Ele ama e é amado pelo Pai, e nos ensina que obediência é, antes de tudo, comunhão entre duas vontades: “Eu e o Pai somos um” (cf. Jo 10,30).

Portanto, a obediência é o exercício da pessoa que ama livremente. Exatamente o contrário de Adão. E, em Nossa Senhora, a obediência encontra a face feminina – “Eis a escrava do Senhor”, ela disse! Logo, a maior liberdade é tornar-se escravo.

 

Pobreza evangélica

 

Existem várias formas de pobreza: material, espiritual, intelectual, social, entre outras. Mas a pobreza evangélica é bem diferente do que se pensa.

O Evangelho de Mateus diz: “bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. E o papa Francisco explica que “pobres em espírito são aqueles que são e se sentem pobres, mendicantes, no íntimo de seu ser”.

Portanto, o “pobre em espírito”, nos conselhos evangélicos, não significa o mendicante material, mas o mendicante espiritual. Ou seja, aquele que reconhece sua pobreza humana e sabe-se dependente de Deus e do outro.

O pobre em espírito possui a vida eterna, possui os valores do Reino de Deus, sabe quem é Jesus Cristo e ao mesmo tempo não se deixa possuir por nada. Além disso, em meio aos desafios da vida, sente-se grato por tudo. 

Seguir Jesus Cristo através da pobreza é praticar o exercício do desprendimento todos os dias; acreditar no cuidado de Deus e em Sua providência. Não implica, no entanto, em acomodação, nem passividade. Ao contrário, é fazer tudo ciente da dependência de Deus.

 

Castidade como pureza do conselhos evangélicos

 

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). O Catecismo nº 2518, diz que a expressão “puros de coração” designa aqueles que entregaram o coração e a inteligência às exigências da santidade de Deus. 

Portanto, a castidade, dentro dos conselhos evangélicos, é a forma de amor a si e ao outro através da amizade e do respeito. A pessoa que pratica a castidade procura viver seu estado de vida com retidão, pureza e caridade, como nos ensina o Catecismo da Igreja.

Existe a castidade dos solteiros, dos casados e dos consagrados a Deus pela profissão religiosa. Os solteiros e os noivos vivem a continência, ou seja, resguardam as manifestações de carinho íntimo para o casamento.

Já os casais, vivem a castidade matrimonial na fidelidade um ao outro, em qualquer circunstância da vida, sempre inspirados no amor e no respeito mútuo.

Agora, há a castidade abraçada na vida religiosa que implica a ausência de relacionamentos íntimos e a total entrega a Cristo – Esposo da Igreja. A vida consagrada vive o celibato consagrado como resposta ao chamado de Deus.

 

Vale a pena lembrar! 

 

A castidade é uma virtude, ou seja, uma graça. E como toda graça, precisa ser pedida e correspondida para crescer. Ela transborda o que a pessoa cultiva dentro de si.

O Evangelho diz que a boca fala do que o coração está cheio, portanto a castidade tanto purifica como revela o coração da pessoa. 

Sendo assim, os conselhos evangélicos nos ajudam a viver com integridade nosso chamado a ser pessoas cristãos para o mundo.

Você já se perguntou: Será que Deus me chama à vida consagrada? Que tal descobrir?

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