As cinzas ainda marcam o início de uma caminhada profunda. Para muitas jovens, este tempo litúrgico parece apenas um período de renúncias, mas, para quem busca um propósito, a Quaresma é uma oportunidade de ouro para o discernimento. Isso porque o deserto não é um lugar de abandono, mas o cenário onde Deus fala mais alto ao coração que se cala.
Certamente, este é o momento ideal para silenciar os ruídos do mundo e ajustar a frequência da alma com a vontade do Pai. Então, se você se sente inquieta sobre o futuro, saiba que estes 40 dias podem ser o divisor de águas na sua história.
Do deserto à decisão: por que a Quaresma e discernimento caminham juntos?
A liturgia nos convida a olhar para Jesus no deserto. Ele não foi para lá para fugir da missão, mas para se fortalecer antes de iniciá-la. Na vida de uma jovem que se pergunta “Senhor, o que queres que eu faça?”, viver a Quaresma em busca do discernimento vocacional torna-se um acelerador espiritual, pois nos retira da zona de conforto e nos coloca diante da verdade nua e crua.
Dessa forma, o tempo quaresmal nos ensina que a decisão vocacional exige coragem para enfrentar as tentações do medo e da insegurança. Ao mergulhar na espiritualidade palotina, percebemos que o “sim” de Maria e o zelo de São Vicente Pallotti nasceram de uma profunda escuta no “deserto” de suas próprias orações.
Vigilância e silêncio: como desligar o ruído externo para ouvir a voz de Deus
Entretanto, como ouvir a Deus se as notificações do celular não param de chegar? A vigilância cristã começa na gestão dos nossos sentidos. A prática da Lectio Divina (Leitura Orante da Bíblia) é uma ferramenta essencial para quem busca na Quaresma o discernimento. Ler a Palavra, meditá-la e deixar que ela ecoe no silêncio é o que permite distinguir a voz do Pastor em meio a tantos conselhos mundanos.
Constantemente, somos convidadas a reavivar a fé através de momentos de deserto cotidiano. Separe 15 minutos do seu dia, desconecte-se do Wi-Fi e conecte-se com o Alto. É no silêncio que a identidade de “apóstola” começa a ser desenhada.
Jejum com propósito: usando o sacrifício para focar no essencial e limpar o coração
Posteriormente, o jejum deve ser visto como uma limpeza necessária. Não se trata apenas de deixar de comer algo que gostamos, mas de esvaziar o coração de tudo o que ocupa o lugar de Deus.
Na jornada de Quaresma e discernimento, jejuar de redes sociais, de críticas ou de distrações inúteis ajuda a “limpar o espelho” da alma para que possamos enxergar nossa vocação com clareza.
Portanto, cada pequeno sacrifício oferecido nesta Quaresma deve ter um “porquê”. Se você deseja clareza vocacional, ofereça sua pequena renúncia por essa intenção. O sacrifício palotino nunca é vazio; ele é sempre um trampolim para o amor e para a doação total de si.
O Carisma Palotino na prática: transformando a oração em caridade e o jejum em ação
Finalmente, o carisma de São Vicente Pallotti nos ensina que a espiritualidade não termina no “joelho no chão”, mas no “pé no caminho”. A União do Apostolado Católico (UAC) nos recorda que devemos “reavivar a fé e reacender a caridade”. Por isso, sua Quaresma e discernimento devem transbordar em ação social e cuidado com o próximo.
A espiritualidade palotina é dinâmica. O jejum que purifica o coração deve se transformar em mãos estendidas para os necessitados. Aliás, quando servimos, Deus muitas vezes revela nossa vocação no rosto do irmão que sofre.
Enfim, que este tempo seja a preparação que sua alma precisa para que, ao chegar a Páscoa, você possa ressuscitar para uma vida nova, cheia de propósito e missão.
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