Jovens mulheres: Qual o seu lugar na Igreja?

 

É muito comum jovens mulheres questionarem-se sobre o seu lugar na Igreja. A mulher possui em si mesmo um dom especial, concedido por Deus, de maternidade, zelo, atenção, ternura e cuidado que lhe são intrínsecos.

No entanto, antes que as jovens mulheres tenham essa percepção, elas vivem um caminho de amadurecimento e de descoberta de seu lugar no mundo. E quando falamos sobre espiritualidade e caminhada de fé, não é diferente.

A Igreja reconhece e valoriza o papel das mulheres na sociedade e na vida da Igreja. Um documento do Concílio Vaticano II, datado de 1965, dedicado às mulheres, ressalta o desabrochar da mulher em sua vocação:

Mas a hora vem, a hora chegou, em que a vocação da mulher se realiza em plenitude, a hora em que a mulher adquire no mundo uma influência, um alcance, um poder jamais alcançado até agora. Por isso, no momento em que a humanidade conhece uma mudança tão profunda, as mulheres iluminadas do espírito do Evangelho tanto podem ajudar para que a humanidade não decaia” 

(Mensagem do Concílio às mulheres. p.13-14)

São João Paulo II também ressaltou diversas vezes o papel da mulher no mundo. Em 1988, ele afirmou: “De fato, é no doar-se aos outros na vida de cada dia, que a mulher encontra a profunda vocação da própria vida” (Carta do Papa João Paulo II às mulheres).

Em outro momento, ele afirmou: “A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros. Desde o «princípio» a mulher — como o homem — foi criada e «colocada» por Deus precisamente nesta ordem de amor” (Mulieris Dignitatem, 30).

Jovens mulheres, chegou a hora!

Na Igreja são muitas as vocações destinadas às mulheres. Sendo assim,  é assumindo uma delas, ou seja, afirmando o seu “sim” a Deus por meio da sua vocação, que a mulher encontrará sua finalidade e a realização de sua vida.

Contudo, antes de conhecer um pouco sobre as diferentes vocações destinadas às mulheres, vamos refletir sobre a maior figura feminina na história não só da igreja, mas da humanidade. Estamos falando de Maria, a mãe de Jesus.

A Virgem Maria é sem dúvida, exemplo para toda jovem mulher que deseja viver plenamente a sua vocação, independentemente de para qual vocação ela é chamada.

“Maria é grande, precisamente porque não quer fazer-se grande a si mesma, mas engrandecer a Deus. Ela é humilde: não deseja ser mais nada senão a serva do Senhor. (cf Lc, 1,38, 48). Sabe que contribui para a salvação do mundo, não realizando uma obra sua, mas apenas colocando-se totalmente à disposição das iniciativas de Deus” (Deus Caritas est, 41).

Portanto, quem tem Maria por sua mestra na realização da sua vocação encontra felicidade e a realização mais plena do seu ser.

Chamados vocacionais às mulheres católicas 

A vocação da mulher na Igreja é uma presença acolhedora, terna e que realiza sua missão na doação aos outros e na fidelidade a Deus. As opções vocacionais que ela encontra na Igreja são:

  • Matrimônio: complementado pela maternidade, no matrimônio a mulher realiza sua vocação no dom de si mesmo ao esposo e aos filhos, por meio do cuidado e do amor que a eles dedica. Por isso, o matrimônio é via de santidade para a mulher que busca viver segundo o desejo de Deus.
  • Virgem Consagrada: a jovem tem uma vida secular, não usa hábito religioso, trabalha, estuda e vive com seus familiares. Porém, em castidade até o fim da vida.
  • Monja: com uma vida contemplativa, as monjas vivem em clausura e se dedicam longamente à oração.
  • Religiosa: é a forma de vida mais comum na Igreja. As congregações e ordens religiosas se dedicam a diferentes atividades pastorais e religiosas.  
  • Sociedades de vida apostólica, institutos seculares, novas comunidades e movimentos eclesiais:  grupos de fiéis que buscam uma vida fraterna em comum, mas que não fazem votos religiosos. Cada sociedade apostólica tem seu próprio carisma e missão.
  • Leigas: independentemente se religiosa ou vocacionada ao matrimônio, a mulher pode dedicar-se nas mais diferentes pastorais na sua paróquia, como na Catequese, Liturgia, Pastoral Familiar, Pastoral da Criança, etc. Tem sido cada vez mais comum também a inclusão da mulher como Ministra Extraordinária da Sagrada Eucaristia.

 

Ser mulher católica para o mundo de hoje

A mulher tem o dom de tornar mais belo o caráter maternal da Igreja. Elas se dedicam incansavelmente nas mais diversas pastorais, na liturgia, nas missões, nas obras sociais. A atuação da mulher consagrada faz a diferença nas comunidades, no meio do povo, onde é sinal da bondade e da ternura de Deus. No entanto, a função da mulher dentro da Igreja não é reflexo de uma competição com o homem, nem tão pouco uma questão de direito. Ao contrário, sua missão complementa a missão do homem. Os dois foram criados com a mesma dignidade, imagem e semelhança de Deus para amar e servir. 

O Senhor criou a mulher para ser um auxílio ao homem. São João Paulo II expõe: “Na criação da mulher está inscrito, desde o início, o princípio do auxílio: auxílio — note-se — não unilateral, mas recíproco. A mulher é o complemento do homem, como o homem é o complemento da mulher: mulher e homem são entre si complementares” (Carta de João Paulo II às mulheres). 

O Papa Francisco disse recentemente que a mulher humaniza o mundo e infunde nele a esperança. Logo, em suas diferentes vocações, a mulher desempenha um papel fundamental na educação dos lares cristãos. Além disso, dá seu testemunho no mundo corporativo, e evangeliza nas diferentes pastorais.  

Palavras finais

Valorizando o dom da mulher, finalizamos com as palavras de São João Paulo II que nos levam a enxergar a mulher pela perspectiva do próprio Deus.

“Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à toda vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do «mistério», à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta «esponsal», que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas” (Carta de João Paulo II às mulheres).

 

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